Faz pouco mais de duas semanas que mudei de cidade, mudei de empresa, de paradigma profissional, em resumo virei o meu mundinho de cabeça pra baixo para uma posição que não tinha explorado ainda. Em Natal eu trabalhava com desenvolvimento web prioritariamente (Python + Django), o que não me impedia de trabalhar com desenvolvimento de camadas mais abaixo no processo de desenvolvimento.
Trabalhar (ganhar dinheiro profissionalmente) com Python sempre foi um sonho e um luxo para mim. Nos poucos meses em que pude trabalhar lá em Natal me diverti bastante não só com as tecnologias, mas com a equipe com a qual trabalhava. Lá eramos uma pequena empresa composta por 4 funcionários, e mesmo de porte pequeno era uma empresa cheia de projetos interessantes. Meu chefe sentava do meu lado e sempre contava algumas piadas, era um ambiente ótimo, descontraído, divertido, às vezes estressante por termos que lidar com clientes, mas isso faz parte. Tínhamos às vezes as visitas do CLX, um dos desenvolvedores que mais admiro não só pelo cabeção (inteligencia = cabeção, pra não achar que to xingando hehe) que tem, mas pela simplicidade e humildade que transmite, bem diferente de muitos colegas da área que são uns malas, infelizmente. Sai de lá no momento em que a empresa iria investir em projetos novos e nos quais estava muito afim de trabalhar, afinal envolvia desenvolvimento em baixo nível usando C, linguagem com a qual gosto muito de codar. Fiquei bem triste por sair nesse momento, por perder a chance de programar em C profissionalmente e não só “hobisticamente”. Mas o mundo chama né.
Hoje me encontro em Londrina, a empresa na qual trabalho é de porte médio, possui várias divisões, recentemente anunciou planos de investimentos nos funcionários como incentivos a produção, participação nos lucros da empresa, etc. Meu chefe não senta mais do meu lado nem conta mais piadas, o ambiente não é tão descontraído quanto o da empresa de Natal, mas também não chega a ser chato. Aqui as pessoas passam horas na frente do PC e só se levantam pra tomar água, algumas poucas para jogar conversa fora e no intervalo depois do almoço jogam algum jogo em rede, mas como sou noob acabou quase nunca jogando. Em Natal costumava sair da sala da empresa pra tomar água, esticar as pernas e sempre parávamos para ver algum vídeo tosco e dar boas risadas ou xingar alguém. Por mais descontraído que fosse o ambiente sempre cumpríamos nossos prazos e estávamos sempre elétricos para cumprir nossas tarefas (afinal como dizia meu chefe “somos jovens”), ah e todas as sextas era dia de dorgas com muita ênfase na cerveja (embora nunca tivesse saído com o pessoa da empresa de Natal, sabia que o pessoal de lá era bem entrosado e costumava sair pra um bar e tomar todas).
Aqui o pessoal é legal, mas ainda não tive a oportunidade de conhecer e conversar de boa com eles, talvez me sinta um tanto perdido no espaço maior, diferente de como era antes. Aliás, aqui trabalhamos com tecnologias pagas (é, traí o movimento), trabalhamos com C#, Unity 3D e salve o Blender que é free. Além dessas ainda trabalhamos com C++ (eu não, prefiro C) e C, nesse caso em C só eu. Ganho mais do que ganhava em Natal, mas se quisesse ganharia o mesmo em Natal que ganho aqui. A verdade é que vim para Londrina pelo desafio, pelo aprendizado, pela mudança, pelo novo, jamais irei deixar de programar em Python, de apoiar o software livre, de viver essa filosofia que vivo desde 2003, jamais! Mas acho que todo profissional deve bagunçar um pouco seu mundo de conforto, sua posição tranquila e se largar em um novo desafio, ver o que será, aprender, quebrar a cara, lidar com cultura e pessoas diferentes, mostrar o que você sabe, ensinar o que sabe e aprender o que os outros passam de novo para você. Eu vejo muita gente valorizando apenas o dinheiro na vida profissional, só pensando em quantos K’s a mais vai ganhar, e esquece que a vida profissional é bem mais que o dinheiro, é satisfação, é paixão pelo que se faz. Sou apaixonado por desenvolvimento, por codar, sempre quis trabalhar com desenvolvimento de simuladores e jogos e cá estou, não sei se vai ser fácil no que concerne a adaptação as pessoas daqui, ao ambiente profissional que é bem diferente, as sextas sem dorgas, ao calor humano que os nordestinos têm (às vezes que chegava todo suado de andar no sol pela pele de Natal) realmente não sei, o tempo vai me dizer isso. Entretanto, como diria Felipe Barros, salve onde você estiver!, somos/sou um cientista da computação, sou capaz de fazer tudo senão mais. Confio no meu taco, sei que posso aprender em pouco tempo o que não sei, sei que posso me surpreender e surpreender aos que me cercam, desafios são sempre bem-vindos, e para quem gosta de debugar como eu, corrigir erros da vida ou dos códigos é moleza. No mais, se não der certo por aqui volto pra Natal com a mala cheia de aprendizado, sorrindo e acenando como me ensinaram meus amigos preto e branco de Madagascar. =P
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